TESTEMUNHOS CRISTÃOS

FUTEBOL, DROGAS E VIOLÊNCIA - TESTEMUNHO DE UM EX-HOOLIGAN

Alô, meu nome é Jean e eu era um hooligan. A realização em minha vida era estragar aquilo que outros haviam construído.

TESTEMUNHO CRISTÃO

Todos sabemos do enorme impacto evangelístico que representam os testemunhos cristãos.

domingo, 8 de março de 2026

O testemunho de Paulistinha Naval, ex-Demônio da Meia-Noite

Antigo disco LP de Roberto, onde ele relatava seu testemunho

Roberto Pereira Lima era um menino sem lar. Jogado no Rio de Janeiro, depois de perambular pelas ruas de São Paulo, muito cedo ingressou na senda tortuosa do crime e da marginalidade, onde passou a ocupar lugar destacado. Tipo de altíssima periculosidade, valia-se dos privilégios da menoridade para a prática dos mais variados e hediondos crimes.

Alcunhado de Paulistinha Naval, Roberto tornou-se malandro refinado. Roubava, matava, extorquia, assaltava, traficava tóxicos, formava quadrilhas de malfeitores, que semeavam o terror, o pânico por onde passavam, e onde estivessem. Tantas ele fez que acabou senda conduzido ao presídio da Ilha Grande, conhecida como Ilha do Diabo, na região de Angra dos Reis. Mas escapou do Rio de Janeiro, fugindo para São Paulo, onde foi preso novamente, e recolhido na Penitenciária do Estado. O homem, que vivera da violência e violentamente, colhia os frutos da semeadura realizada.

Porém, o Paulistinha Naval, conhecido, no Rio, como Demônio da Meia-Noite, considerava-se religioso, e muito religioso. Tinha suas devoções, que levava muito a sério. Santo Antônio, feito de pau de guiné, São Jorge, o cavaleiro da lua, e São Cipriano, eram invocados nas mais escuras horas daqueles caminhos, tortuosos e atormentados. Por esse motivo, ele atirara Bíblias no rosto de pessoas que lhe vieram falar do amor de Deus, tentando evangelizá-lo. Tinha a sua religião, e pronto.

E o tempo foi passando, naquela vida de desencontros. Certo dia, chegou na Casa de Detenção de São Paulo uma mulher idosa: 84 anos. Chamava-se Amélia Monzaite, e era membro da Cruzada Nacional de Evangelização. Dirigindo-se ao diretor daquela casa correcional, pediu-lhe permissão para falar de Jesus Cristo e de seu amor aos presos. A resposta que obteve foi que ela não perdesse o seu tempo, pois todos ali tinham a sua religião, e que, ali no cárcere, não havia evangélicos: todos eram católicos romanos. Mas a bondosa senhora não desistiu de seu intento. Tinha um recado de esperança e de perdão para aqueles condenados. E precisava entregá-lo, naquele dia mesmo. Urgentemente.

Querendo livrar-se da persistente e incômoda visita, João Careca, o diretor, mandou que ela fosse visitar aquele que era o seu "melhor preso", o famoso Paulistinha Naval. Ela foi, sem a mínima vacilação. Encontrou o condenado numa roda de meliantes, jogando baralho. Saudou-o, chamando-o pelo nome completo, o que lhe causou espanto.

- Mas como sabe que me chamo Roberto Pereira Lima? Eu não gosto que me chamem pelo me nome...

- É que nós, evangélicos, não gostamos de chamar, quem quer que seja, pelo apelido. O nome dá personalidade a qualquer indivíduo, respondeu a anciã, que passou, às mãos de Paulistinha Naval, uma Bíblia.

O facínora recebeu aquele presente cheio de ódio. Pensou em jogar aquela Bíblia no rosto engelhado, enrugado da tranquila octogenária, como já havia feito com outras Bíblias que recebera. Mas olhando aqueles olhos cansados da velhinha, teve pena dela. Não teve forças para cumprir a agressão. Era o Espírito Santo que estava fazendo a sua obra, naquela vida atormentada.

Na cela, Paulistinha Naval abriu o livro, ao acaso. Soletrando, com muita dificuldade, leu o convite de Jesus, em Mateus 11.28. "Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei!". Levou quase vinte minutos para completar a leitura, ante o riso e a zombaria de seus companheiros. Aquelas palavras, que nunca ouvira antes, desceram-lhe ao coração, fazendo aquele homem temido meditar. Ele sentia, agora, alguma coisa diferente questionando-o, modificando-o. Olhando para Capixaba, que dele também zombara, disse-lhe Paulistinha Naval:

- Você aí, Capixaba, que riu de mim, vai ler em voz alta este livro misterioso. E se não me obedecer, vai levar uma boa surra.

O versículo que Paulistinha tentara soletrar foi lido, mais uma vez, por aquele seu companheiro que lhe confessou, com tristeza estampada no rosto:

- Paulistinha, meus pais eram evangélicos. Se hoje estou nesta situação, é porque eu os enganava e fugia da igreja, onde fui criado. Minha recompensa foi cumprir pena, nesta cadeia.

Em seu testemunho, publicado em setembro de 1964, Paulistinha Naval declara que, naquela noite, deitando-se para dormir, cobriu-se até à cabeça com um lençol, e chorou copiosamente. Não eram lágrimas de simples remorso, mas de profundo arrependimento por tudo quanto havia feito de mal, neste mundo. Era o encontro transformador com Cristo. Paulistinha Naval caíra em si, caíra para cima. Era nova criatura. Nascera para Deus.

Da Casa de Detenção, transferiram o irmão Roberto Pereira Lima para a Penitenciária do Estado onde permaneceu, por mais de 4 anos, e onde participava das atividades da Capelania evangélica, sob a orientação do saudoso Rev. Avelino Boamorte. Dali foi removido para a Colônia Agrícola de Itapetininga, prisão aberta, onde ficou durante mais de um ano, e onde deu testemunho de vida regenerada. O ex-Demônio da Meia-Noite, o ex-Paulistinha Naval, livre da prisão, constituiu família, tornou-se ardoroso evangelista e incansável pregador do Evangelho, visitando inúmeras cidades brasileiras, em memoráveis campanhas, em que o nome do Senhor Jesus foi glorificado, na salvação de almas preciosas.

Ivan Espíndola de Ávila, no livro Eles Caíram Para Cima


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